Revista TPM
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A fila da padaria

Sobre relações amorosas contemporâneas

 Devo ter uma obsessão por fila de padaria. Sempre que alguém se impacienta porque que não encontra um amor, acabo dizendo que pode estar em qualquer lugar -“até na fila da padaria”. Inconscientemente estou torcendo que encontrem um “pão”. Minha frase inspira-se numa gíria do tempo da Jovem Guarda: “pão” era um homem que ninguém, em sã consciência, expulsaria da sua cama.

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01/06/09 |
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A promessa das máquinas

Sobre o trabalho doméstico, Revista TPM

 Eu tinha duas famílias prediletas, ambas do futuro: Os Jetsons, um desenho animado, e os Robinsons, do seriado Perdidos no espaço. Achava-se que acabaríamos usando macacões prateados colados ao corpo e botinhas que finalizavam essa espécie de malha unissex. Era década de 60 e na televisão o porvir era representado igual ao presente, mudando só o figurino. Os homens ainda trabalhariam fora, enquanto as mulheres cuidariam do lar, mas haveria um atenuante: os robôs. Os Robinsons tinham um exemplar macho e os Jetsons tinham Rosie, uma eficiente empregada automática.

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01/11/08 |
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A sedução do pirata

Sobre como amamos e nos identificamos com os piratas

Johnny Depp é uma gracinha. O pirata Jack Sparrow, de andar balouçante, é uma personagem imprevisível e fascinante. Não é um vitorioso, só é heróico só quando lhe convém, não é confiável nem mesmo para sua tripulação, o que não a impede de amá-lo, entre um motim e outro. As mulheres sempre terminam por esbofeteá-lo, mas só depois do beijo. O olhar castanho e sorrateiro de Depp, a sexualidade ambígua dos trejeitos do corsário, são muito diferentes do queixo quadrado, dos músculos e da personalidade previsível dos super-heróis que fazem a cabeça do público masculino. Não é essa nossa escolha: Sparrow é campeão de suspiros entre as mulheres, principalmente as mais jovens. Mas o que é que o pirata tem?

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01/08/07 |
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Amiga, posso te dizer uma coisa?

Sobre a cruledade nas relações entre as mulheres

 Não vacile, responda sempre que não! E jamais faça essa pergunta. Essa frase é senha para uma bomba. Imagine a cena: achamos que uma amiga é apagadinha ou o contrário, parece um pinheiro de Natal; ou então que ela namora alguém que é um atraso na sua vida, que é muito grudada na família, que está deprimida, escondendo-se em casa, que é covarde ou preguiçosa frente aos um desafios, ou ainda que é carreirista e ambiciosa demais, assim por diante.

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01/04/07 |
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Carta a M. sobre Carta a D.

Sobre o livro de André Gorz

 Mário, acabei de ler o livro que teu amigo te deu de aniversário: Carta a D.: História de um Amor. O livro é uma carta aberta, um manifesto de amor duradouro, mas também o balanço final da relação de 58 anos de André Gorz com Dorine Keir. O escritor André era um judeu austríaco que viveu o intenso século XX, navegou pelas águas do existencialismo, do marxismo, foi uma das figuras inspiradoras das idéias de maio de 68, precursor do pensamento ecológico. Dorine era uma inglesa, que iniciava uma carreira teatral quando se conheceram, mas que dedicou a vida à parceria com o companheiro.

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01/07/08 |
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Cinderelas, com uma pequena ajuda das amigas

Sobre o livro de André Gorz

Como Carrie, Charlotte, Miranda e Samantha, Cinderela também sonhava com um príncipe e achava que seu valor dependia da suntuosidade das suas roupas. Através das suas aparições e fugas do baile, das pistas que deixava como rastro a cada noite, a princesa saída das cinzas ensinou sucessivas gerações de meninas a fazer o jogo da sedução. Sex and the City, o filme, é uma comédia romântica que parece ser mais uma versão da história clássica da Cinderela, embora de borralho as moças de Nova York entendam pouco. Nesses filmes a tarefa central das personagens é encontrar um príncipe encantado, mas nesse há um toque a mais: é a amizade, o amor fraterno, que sai consagrado no fim. 

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01/08/08 |
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Ciúmes

Sobre esse sentimento, Revista TPM

Catherine Millet gostava de entregar-se aos homens. Teve muitos, principalmente em grupos, com a conivência de seu marido. Ela publicou sua experiência num best seller chamado: A vida sexual de Catherine M., em 2001. Já o esperado sucessor desse relato picante foi surpreendente: chama-se Dia de sofrimento (no Brasil só em 2009) e narra as dores que sentia, consumida pela angústia da descoberta dos encontros do marido com suas sucessivas amantes. Não se trata de hipocrisia da parte dela, nem de cegueira relativa a seus próprios atos, acredita que assumir uma sexualidade muito livre não nos impede de cair na armadilha assustadora do ciúme e não nos protege de antemão contra a dor que a acompanha.

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01/12/08 |
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Com quantos paus se faz um homem?

Sobre a construção da imagem masculina pelas mulheres

Alta e jovem, a mãe caminhava de mãos dadas com seu filho, um daqueles pós-bebês que já têm um ar másculo, menos de metro de altura, presumíveis três anos, mochilinha nas costas. Ajeitei o passo para ouvir a conversa.

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01/10/07 |
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De tudo resta um pouco

Sobre o livro Louca por homem de Claudia Tajes

Amar é despersonalizar-se. Aos nossos ouvidos isso mais parece palavrão. Deveria ser assim: a gente escolhe, na hora em que bem entende, alguém que case com nosso modo de ser e estar; e uma vez encontrado aquele que se molda ao nosso desejo, ficaremos com ele tanto quanto nos convier. Além disso, a separação não deveria nos destruir, depois de cada fim poderíamos voltar sem maiores traumas para o ponto de partida, abastecendo-nos de nossos ricos recursos pessoais. Quanta idealização há nessa pretensiosa fantasia contemporânea!

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01/12/07 |
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Diz que me ama, olha pra mim!

Sobre a capacidade de ficar só

Maldito dia dos namorados: todo ano a choradeira é igual. Os solteiros se lamentam, por motivos óbvios, os comprometidos também se queixam do pouco amor recebido, e até os mal acompanhados descobrem por que ainda não se separaram. O mundo parece gritar que o amor é tudo. Provavelmente, esse coro de insatisfeitos (ao qual pertencemos, sim, sempre ou de vez em quando) está pedindo do amor o que ele não tem para dar. O amor anima, mas não completa. Esqueça daquele papo de meia laranja ou alma gêmea. Para sermos menos lamurientos, precisamos ter a capacidade de estar sós.

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01/06/08 |
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