Entrevista sobre literatura infantil
Concedida à Confraria Reinações em 05.03.2010
Palavra de confrade
1.Em que aspectos, na sua opinião, a literatura infanto-juvenil reina?
Ela reina, porque é a mãe não somente do leitor que um dia nos tornaremos, mas também de todo o universo onírico que carregamos vida afora. Fabricamos nossos próprios sonhos e fantasias; nosso artista interior não cessa de trabalhar, mas suas criações são formatadas pelas histórias que se escutou, leu ou assistiu. Neste caso, não restrinjo a literatura aos livros, já que toda história, mesmo que vire filme, peça, desenho animado ou série de televisão, em primeiro lugar, foi escrita. A criatividade é sedenta de fontes e quanto mais criativos formos menos precisaremos de pensamentos e soluções imediatos e prontos. Estas últimas podem tomar a forma do simples consumismo medíocre ou mesmo da imbecilidade fascista. A literatura infanto-juvenil reina tanto quanto conseguirmos seres humanos mais interessantes, e sua falta é origem da pobreza de espírito.
O gato e a montanha
Sobre a leitura da Montanha Mágica
Quando vejo essas entrevistas que são feitas a personalidades importantes, fico fantasiando que aconteceria se algum dia eu fosse suficientemente importante para que me perguntassem qual meu livro preferido, filme, prato, palavra, lugar. Respondendo mentalmente à entrevista que nunca me fizeram, o que me ocorre é que nessas horas não lembro de nada que li, de nenhum filme que vi, de nada relevante, pânico de opinar.
O livro de areia
Texto sobre autoria com reflexões sobre Borges e luis Fernando Verissimo
“em 1833 Carlyle observou que a história universal
é um infinito livro sagrado que todos os homens escrevem
e leem e tentam entender, e no qual também os escrevem.”
J.L.Borges
“No fundo, no fundo, os escritores passam o tempo todo redigindo uma nota de suicida. Os que se suicidam mesmo são os que a terminam mais cedo.” … “Há os que se suicidam antes para escapar da terrível agonia de encontrar um final para uma nota. O suicídio substitui o final. O suicídio é o final.” … ”Borges disse que o escritor publica seus livros para livrar-se deles, senão passaria o resto da vida reescrevendo-os. O suicídio substitui a publicação. No caso o livro livra-se do escritor.”
Lavoura arcaica. Semeando amores, colhendo incestos
Texto sobre o livro Lavoura Arcaica
“E eu sentado onde estava sobre uma raiz exposta num canto do bosque mais sombrio”.
Num tempo em que a ficção se povoa de tantas aventuras, os caminhos do inconsciente ainda são o pior dos labirintos. Nele entraram todos os leitores que consagraram o livro “Lavoura Arcaica”, escrito por Raduan Nassar. Filmada por Luiz Fernando Carvalho, a história vai ao encontro de um público ainda maior, arrastando consigo tanto impacto quanto em sua aparição impressa.
Um adolescente de meio século
A atualidade do “Apanhador no campo de centeio”
Quando um texto aniversaria, tendemos a dizer-lhe o mesmo que a uma pessoa: “estás jovem!”. Por isso no cinquentenário do “Apanhador no campo de centeio” o óbvio seria comentar a sua atualidade e o quanto ele foi inovador. É perfeitamente possível lê-lo, se subtrairmos as referências históricas, como [...]
A atualidade do “Apanhador no campo de centeio”
Quando um texto aniversaria, tendemos a dizer-lhe o mesmo que a uma pessoa: “estás jovem!”. Por isso no cinquentenário do “Apanhador no campo de centeio” o óbvio seria comentar a sua atualidade e o quanto ele foi inovador. É perfeitamente possível lê-lo, se subtrairmos as referências históricas, como o discurso contemporâneo de um adolescente.

Diana Lichtenstein Corso é Psicanalista Membro da APPOA (Associação Psicanalítica de Porto Alegre). Formada em psicologia pela UFRGS, trabalhou com crianças e no campo dos problemas de desenvolvimento infantil junto ao Centro Lydia Coriat de Porto Alegre e em várias outras instituições. Atualmente atende jovens e adultos. É colunista desde 2001 do Segundo Caderno, suplemento cultural do jornal Zero Hora, da Revista Vida Simples, além de participações em várias antologias e revistas. Publicou o livro Fadas no Divã: psicanálise nas histórias infantis, em 2005, e Psicanálise na Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia, em 2010, ambos pela Ed. Artmed, escritos em parceria com seu marido Mário Corso. 



